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Blue Orange Green Pink Purple

Utilizado para momentos de egocentrismo pessoal. Releve.


6 nomes, 6 mentiras, 6 mortes


Seis nomes, seis sombras minhas.
Expressões inteiras da malignidade em mim.
Partes escuras e frias dos meus olhos que possuem apenas luto.
Num canto onde não há frivolidades, não há perdão e não há vida, eles habitam.
Num canto lugúbre de mim, faziam sua morada.
Encravada atrás de meus lindos sorrisos está a tragédia.
Debaixo da pele repousa o pecado.
Atrás dessas nuvens, posso esconder lágrimas.
Cada um com seu significado expresso, não por mim, mas por palavras que saltam.
Caim, Judas, Nero, Legião, Belial e Lucífer.
Sorte que agora são mortos.
Que não mais me tenham por herdeiro do anjo póstumo.
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Sapatos vemelhos & adeus


O som era bem reconfortante, aqueles "claps-claps" dos sapatos vermelhos sensuais.
No meu sorriso-e era um bem grande-expressei minha libertação.
O som dela indo embora deu-me prazer.
Enquanto ela andava eu via as ancas largas que tanto prazer me deram, a pequena cintura extremamente convidativa e o cabelo dourado dançando livre e eróticamente nas costas.
Enquanto fechava a porta de minha sala, seus olhos profundamente azuis e lascívios me olhavam.A expressão era provocante.Ela achava que me controlava.
Eu avisei ela.Avisei da morte de Caim, Judas, Nero, Legião, Belial e Lucífer, mas ela não acreditou.
Menções a tatuagens e prazeres antigos foram rotina, até os "claps-claps" e o bater da porta.
Liberdade.
"Eu amei o som de você indo embora", eu disse.
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Ego sum unus quisnam habitat Nero!


Entre as diferentes manifestações, fisícas ou não, que ocorrem nesta Terra, posso afirmar que a mais fascinante, se não mais excitante, é o mal
O mal em sua essência, impuro, negro, obscuro, insano, bestial e genial.
Não entendam essa fascinação como um fetichismo desejoso, mas sim como um ciência interna, particular e até agora nunca exposta.Como um oncologista que estuda o Câncer e sabe tudo sobre essa patologia e a observa, mas não a ama,não gosta e não quer, virtualmente, tê-la.
É engraçado pensar como, na história da humanidade, algo passou de geração em geração, algo maligno, algo capaz de estimular e exteriorizar aquilo de pior que o homem têm: sua capacidade de usar a razão para motivos excusos a.k.a suas ambições pessoais ou insanidades ( vida Hannah Arendt e sua loucura da razão).
Podemos citar vários.
Nero, Hitler, Pol-pot, Elizabeth Bathory, Cáligula.Ainda temos os personagens bíblicos como referencia histórica-e talvez verossímil-mais antiga.
Caim, Judas?
A pergunta principal é: Trata-se apenas da potencialidade humana ou há influências, digamos, externas?
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Drivers Inc.


Na rua, bem quieta, bem singela, bem obscura e mórbida ele vai acelerando o carro.
O barulho das pedras saltitantes no chão ante aos pneus do veículo lhe dão uma sensação de poder quase divino.
Ele está bem ansioso, coisa rara.
-De novo Rafael?Achei que você já tinha superado e ficaria tranquilo.
-Eu também achei, mas parece que certas coisas não se superam.
Nesse monólogo ora interior, ora exterior ele segue dirigindo, prestando atenção na rua, na vida e em sua voz ecoante.
Estacionar, primeira marcha depois a ré, depois a primeira de novo.Estacionar os pensamentos e a voz.Hora de manter o controle, a calma e a aparência.Aquele suspiro bem fundo, como num último mergulho antes da morte/vida.
Finalmente, ele sai do carro.Noite fria, hálito visível, mãos geladas e coração quente.
Andando para a frente de seu antigo colégio, memórias lhe estupram a mente.
Chega, depois de aparentes quilómetros, a portaria da escola.
Sentado, esperando, ele não fica bravo.Devora seus halls e espera, feliz e pacientemente.
-Voz firme, olhar sério e sempre nos olhos dela, dirija com confiança e poder.Nada de joguinhos, você sabe que ela não cai.
Ela chega, ele olha.
Todo o planejado evapora, sobra só calor.
Rapaz volátil, não?
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Nota ao existencial

Algumas vezes choramos e nem sabemos porque.
Algumas vezes sorrimos e não sabemos porque.
Algumas vezes vivemos e não sabemos o motivo.
Algumas vezes mentimos sem querer mentir.
Algumas vezes gritamos quando queremos sussurar.
Algumas vezes amamos quando queremos odiar.
Algumas vezes destruímos quando queremos construir.
E você realmente quer que eu saiba o motivo de mim mesmo?
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Ao que primeiro amou

Não tenho segurança nenhuma agora.Sei que nem mesmo eu controlo minha vida.Sei dos planos maiores.
E meu texto agora é para o autor deste projeto, desses planos.
Não sou, não fui, nem serei digno de nada, a não ser da morte.E admito isso.
Como o mais putrefado e fétido poço de orgulho falei o que não devia, fiz o que não devia.E pior, eu sabia que não devia faze-lo e sabia o que aconteceria se fizesse, mas fiz.
Tu que me prometestes tanto, que me mudastes tanto e que me destes tanto foi retribuído com um escarro na boca que me beijava.
Fui separado no ventre, fui escolhido quando concebido, bem sei disso.Não desejo os louros e louvores humanos que antes desejava, só quero que me ouça.
Sou uma criança, uma insolente criança.Vejo isso agora.
Que maturidade tem um jovem de 18 anos como eu?Nenhuma.E a prepotência é proporcional a imaturidade, mas, ainda sim, tu me amastes.
Eu tinha tudo e troquei por nada.Eu tinha ouro e troquei por lama.Eu tinha vinho e troquei por fel.
Ao que tanto ofendi, nada tenho a dizer.Curvo meu semblante em vergonha e em arrependimento assumo a glória que não é minha, o poder que não é meu.
Só olhe para mim e faça como lhe aprouver, como sempre fez.
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Auto conselhos I

"Algumas coisas eu não posso fazer, algumas coisas ninguém pode fazer."
Disse isso para mim mesmo algumas centenas de vezes.Mas, talvez com o alvorecer da maturidade, ainda que inicial, eu percebo uma coisa.Coisa sucinta, nem muito importante, ainda que resposta seja.
Sabe, eu posso tudo.E leiamos tudo na esfera da lógica fisíca, obviamente.Esse texto não é um dos tipícos em que me digo superior a Deus.
Eu posso tudo, desde que haja motivação.E para haver motivação como fazemos?
Simples.Sentimentos.
Quando se aprende a cultivar os sentimentos certos, aprende-se a mantener a motivação que se quer.
Eu eu não poderia deixar de dizer que o maior estímulo, que o maior poder, que a maior força, que a maior vontade e que o maior impulso repousa no amor.Sorte de quem consegue cultiva-lo.
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Apenas mais um relátorio

Scrap enviado, enfim.Após meses.
Peso saído das costas, finalmente.
Adeus dor.
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Palavras deglutidas


Sem muito o que dizer agora.
Só desculpas.
Falta-me coragem, falta-me folêgo.
Engoli o que eu queria, cuspi o que não queria.
Minha língua ofídica matou-me, e desejo reviver.
Sei que quem deve não vai ler isso, mas ao menos quero expor ao mundo o que sinto.
Ironicamente uma das sujeitas desse texto veio falar comigo na exata hora em que eu o escrevia.
Não amenizou, previamente.Enfim, pouco importa isso.
Importa que eu exponha que eu me arrependo.Me arrependo ardentemente e publicamente.
Sem mais.
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Imaginário de um sonhador


Sabe quando você dorme?
Sabe quando você vê uma pessoa, e como num sonho, dos mais lindamente onirícos, você imagina como seria?
Como seria se eu estivesse lá?
Como seria se eu pudesse vê-la, senti-la e cheira-la?
O verão está voltando, a inocência não vai durar.
Como eu fiz na primavera com outra, não poderei fazer com ela.E isso mata-me.
Acorde-me, por favor.Eu engulo meu orgulho, engulo minha prepotência, só acorde-me.
O inverno foi tão rápido que não senti, de repente, num ardiloso golpe do destino ou de Deus, senti-me de novo envolto.
Não quero mais chorar, não quero mais sofrer.
Quando ela se foi, perdi uma parte de mim.Será isso difícil de entender?
Não peço muito.Só peço pelo fim da dor.
E, se não for possível que ela cesse, que ao menos, antes que eu sofra mais, eu possa experimentar o amor que tanto quero, que tanto idealizo.
Aceito a impossibilidade, aceito a tristeza.Só não aceito mais uma vez morrer, para ser obrigado a reviver pela vida.
Na beleza de olhos negros e profundos tais quais nunca antes havia visto, sinto-me lido.
Ela, cujas injustas chagas pela vida causadas ainda ardem, vive alheia ao que escrevo.E deve permanecer assim.
Ao menos que um dia ela saiba que enquanto dorme, alguém no mundo, ainda que mesquinho, insignificante e indigno, lembra-se dela.E lembra-se de quem ela é.Quem é realmente. E gosta de suas memórias.
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Loucura da razão


Eu estava só pensando.Sabe essa razão, essa coisa que tanto idolatro?
Quantas mortes, quanto sangue foi derramado (inocente ou não) por esse vício humano?Tudo a preço de um egocentrismo patológico, insano e ironicamente animalesco.
O holocausto, exemplo magno da loucura da razão, vide Hannah Arendt e sua banalidade do mal, engravidou-me destas idéias.
Esse fato histórico, por muitos questionado, foi o apíce, o cume e o máximo da utilização da razão para, única e exclusivamente, ferir outros homens.
Por que morreram tantos?
Quantos destinos, quantas vidas, quantos amores foram separados, quantos filhos feitos órfãos e quantos pais solitários?
Tudo fruto de uma razão desvirtuada, banalizada e destrutiva.
O que divide a razão que frutifica em coisas ditas boas e a razão destrutiva?
O que separa Joseph Mengele de Rafael?
Eu digo: nada.
Não sou melhor que Hitler.
Nada me afasta dele: sou capaz das mesmas coisas.
O único, talvez insignificante diferencial, é que eu não esteja sob as circunstancias que os piores algozes de todos os tempos estiveram.
Eu estou sob uma melhor influência, talvez perfeita: a esperança e a distante e quiçá nem mais existente felicidade.
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Epitáfio ao amigo


Eu prometi escrever algo, entre muitas promessas, para um amigo em seu aniversário.
Cá estou, após ressacas de choro, tristezas agudas dum cinza-azul e beijos lamacentos.
Eu disse que diria o que havia de ser dito.
Mas nem sei.
Um ano de vida.Nem parece muita coisa, nem parece coisa alguma, mas, meu caro, é.
Penso-me a um ano atrás.Preso a ideologias, a mentiras, a mulheres.
Nem sei onde estava, nem o que queria (como se soubesse agora).
Eu jazia por sob o túmulo da ignorancia (inocencia?) e não queria estar nele.
Agora, sob o crivo da razão, desejo voltar a inocencia (ignorancia?).
Meu conselho amigo?
Sabe, nem pense.Nem leia revistas de moda.Nem queira ser, não planeje.
Não coloque coisas em primeiro plano para acabar esquecendo das pessoas.
Não foque-se em pessoas e esqueça de viver.
Não viva e esqueça do seu futuro.
Não pense em seu futuro e esqueça de sua origem.
Seja o coglomerado da indefinição, a icógnita do clichê.
Nem se preocupe com aparencias: elas morrem.
Viva apenas pela essência, essa, como maior presente que poderia dar, lhe digo: é eterna.
Nunca pergunte por que, nunca viva mentiras.
Prefira se machucar do que fazer chorar, pois se você fizer chorar, chegará um dia que, de tantos choros causar, ninguém mais haverá para causar pranto, a não ser você mesmo.
Amigo, é hora de acabar o que comecei.Receba as palavras se lhe servirem de alguma coisa, se não, passe-as a quem achar digno.
Honro-lhe com alguns de meus mais valiosos tesouros: pedaços de mim.



De seu amigo,
Brandt.
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Lírio


Ir dormir numa noite das mais frias.Deitar-se em sua cama gelada e esquenta-la.
Começam os sonhos, as beleza oníricas.
Não são nossos devaneios noturnos a melhor leitura de nós?
Nossas mais secretas vontades, nossos desejos mais profundos, a voz de nosso subconsciente?
Na verdade, escrevo isso porque espero ser assim.
Se for, pelo menos uma certeza posso ter, uma ilha num mar de incertezas, algo em que pisar no vácuo.
O fato de que, felizmente, há algo de bom em mim.
Em toda a lama, em toda a putrefada carne, há um lírio.
Por menor que seja, por mais insignificante ante a tanta sujeira, ainda sim há um Lírio.
Há beleza.
É um começo.
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De trás para cima


Poucas palavras dizem muitas coisas.
Essas dizem algo bem simples: saudade.
Do que?
De minha felicidade que outrora existiu.
Mas o passado não me faz bem, lembrar me mata.
Devo buscar o sentimento mas não os rostos?
Devo fingir que o tempo não passou, que meus olhos não envelheceram?
Jogo fora tudo, apago tudo.Afundo no mar profundo que sou as fotos, resgato o sentimento.
Lembro, com doçura, que sou normal.Tudo o que sempre quis.
Uma vida pra tirar outra da minha?
Não, obrigado.
Prefiro o espaço vago para alguém que eu ache digno, preenche-lo.
Não vou voltar atrás, nunca mais.
Lágrimas demais já cairam, coração quebrantado demais.
Hora de olhar pra cima.
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Ao leitor


Sabe, faz algum tempo que tenho esse blog.

Muitos dos que me lêem, dizem não conhecer nem um pouco sobre este que vos escreve, até porque costumo ser meio Bukowskiano e não manter contato com a maioria dos leitores.Mas, quero, agora, manter uma espécie de monólogo-diálogo com quem desejar.

Se desejas, continue lendo, se não, volte para o orkut.

Bem, sabe aquela gota d'agua, aquele grão-de-areia minúsculo?Eis ai minha auto-estima verdadeira.Posso parecer o mais orgulhoso e monarca dos homens se quiser, mas a verdade é que a síndrome de Mefibosete a.k.a síndrome do cão morto ( silogismo rules!) impera em minha auto-imagem.

Costumo achar que possuo o dom nato para fazer as coisas, mas bem sei que não é assim.Tenho de aprender, de suar, de me esforçar para fazer as coisas.Até mesmo escrever aqui.

Leiam meus textos mais antigos e perceberão como comecei: cheio de melancolia, amor, paixão e frieza.

Bem, não gosto de tocar nesse assunto, mas vamos lá.

É fato que eu tinha aquela paixão retratada lá, mas ela já não mais existe e, de vez enquando, rouba-me algumas lágrimas.Coisa esporádica.

O post já está grande demais.

Pretendo fazer isso mais vezes.A cada 5 ou 6 posts.

Por enquanto é só.


Abraços


Weiss Brandt
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Ao verbo

Não é uma reconciliação, não é uma volta.
É o fim de meu orgulho.Admito, errei com você.
Devia ter esperado mais, continuado mais.
Talvez se eu fosse menos orgulhoso, se eu buscasse menos o louvor e a exaltação dos homens.
Sei bem que o que você me prometeu, não morreu, mas eu não aguento mais.Não posso mais.
Quero expor publicamente que errei.Você está certo.
Não há mais o que falarmos.
Adeus.
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Retorno a inocência


Eu a quero de volta, minha amada.
Não havia de me preocupar com minha solidão, tão pouco minha frieza.
No azul do mais profundo mar, eu podia navegar e chegar a praia, por ela passear e meus pés por na grama.Senti-la por entre meus dedos, sentir seu afago amável como o beijo na bochecha melado de uma criança.
Eu não chorava, só se doesse.
Eu não gritava, só se quisesse.
Eu não amava, só se amasse.
Eu não dizia, só se fosse verdade.
E como eu quero fazer isso de volta, querida minha.
Mas, felizmente, quando de sua volta tenho de apresentar-lhe meu irmão, a idade.
Que possamos conviver juntos os três, em homogeneidade, até que não se saiba onde começa um e termina o outro.
A idade, a inocência e eu.
Os três, outrora separados pelos ardis da vida, agora devem voltar a se amarem, e do fruto desse amor, venha pela primeira vez a tão esperada felicidade.
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