Eu prometi escrever algo, entre muitas promessas, para um amigo em seu aniversário.
Cá estou, após ressacas de choro, tristezas agudas dum cinza-azul e beijos lamacentos.
Eu disse que diria o que havia de ser dito.
Mas nem sei.
Um ano de vida.Nem parece muita coisa, nem parece coisa alguma, mas, meu caro, é.
Penso-me a um ano atrás.Preso a ideologias, a mentiras, a mulheres.
Nem sei onde estava, nem o que queria (como se soubesse agora).
Eu jazia por sob o túmulo da ignorancia (inocencia?) e não queria estar nele.
Agora, sob o crivo da razão, desejo voltar a inocencia (ignorancia?).
Meu conselho amigo?
Sabe, nem pense.Nem leia revistas de moda.Nem queira ser, não planeje.
Não coloque coisas em primeiro plano para acabar esquecendo das pessoas.
Não foque-se em pessoas e esqueça de viver.
Não viva e esqueça do seu futuro.
Não pense em seu futuro e esqueça de sua origem.
Seja o coglomerado da indefinição, a icógnita do clichê.
Nem se preocupe com aparencias: elas morrem.
Viva apenas pela essência, essa, como maior presente que poderia dar, lhe digo: é eterna.
Nunca pergunte por que, nunca viva mentiras.
Prefira se machucar do que fazer chorar, pois se você fizer chorar, chegará um dia que, de tantos choros causar, ninguém mais haverá para causar pranto, a não ser você mesmo.
Amigo, é hora de acabar o que comecei.Receba as palavras se lhe servirem de alguma coisa, se não, passe-as a quem achar digno.
Honro-lhe com alguns de meus mais valiosos tesouros: pedaços de mim.
De seu amigo,
Brandt.
E o que eu posso fazer das palavras agora pra agradecer. Se sempre nessas horas elas se ausentam. Se sempre elas nos deixar a beirar o nada, o vazio. Só quero usá-las na forma de reconhecimento, pois não é mais que isso, além de admiração, que tenho por ti meu caro amigo.
Quantas bebedeiras ainda terei que aguentar pra valer as orações inebriadas que você me doa no auge de seu ser-literato? Quantos bafos insanos terei que infligir para buscar dessa mente inflamada, algum sustento. Sabe a resposta(?)...Quantos forem precisos, porque quero sempre admitir que há pedregulhos seus guardados e implantados dentro desse vidro insosso que se posta a remoer versos.
Breve irei levá-lo(presente/texto) daqui.