
Na rua, bem quieta, bem singela, bem obscura e mórbida ele vai acelerando o carro.
O barulho das pedras saltitantes no chão ante aos pneus do veículo lhe dão uma sensação de poder quase divino.
Ele está bem ansioso, coisa rara.
-De novo Rafael?Achei que você já tinha superado e ficaria tranquilo.
-Eu também achei, mas parece que certas coisas não se superam.
Nesse monólogo ora interior, ora exterior ele segue dirigindo, prestando atenção na rua, na vida e em sua voz ecoante.
Estacionar, primeira marcha depois a ré, depois a primeira de novo.Estacionar os pensamentos e a voz.Hora de manter o controle, a calma e a aparência.Aquele suspiro bem fundo, como num último mergulho antes da morte/vida.
Finalmente, ele sai do carro.Noite fria, hálito visível, mãos geladas e coração quente.
Andando para a frente de seu antigo colégio, memórias lhe estupram a mente.
Chega, depois de aparentes quilómetros, a portaria da escola.
Sentado, esperando, ele não fica bravo.Devora seus halls e espera, feliz e pacientemente.
-Voz firme, olhar sério e sempre nos olhos dela, dirija com confiança e poder.Nada de joguinhos, você sabe que ela não cai.
Ela chega, ele olha.
Todo o planejado evapora, sobra só calor.
Rapaz volátil, não?
O que são 6 textos pra comentar? Seis delírios? Seis Prazeres? Ou apenas 6 textos? [Amanha no msn.]
Caramba Rafa, adorei esse! (:
x) Muito interessante.