Prende-me a uma realidade fria e amável.
E, por um infímo e finito instante, faz-me feliz.
Agradáveis odores provindos, gosto de imaginar, de lugares divinamente dourados, inundam-em a alma.
Sentimentos tão profundos que não mais importam passado e futuro.
Só o instante.
Minha mente, outrora turva e lugúbre, repousa por sobre o gesto carinhoso, talvez nada significativo para a outra pessoa.
Ainda que egoísta seja, não quero que ele acabe.
Mas, acabou.
E levou um pedaço de mim.
Parte dele carrego comigo.
Carrego, além de tudo, a ironia.
Ironia de um abraço ter significado muito mais do que inúmeros e tediosos prazeres que tive, dos superficiais "eu-te-amos" que recebi e todos os feitos da minha vida que, inutilmente, buscaram a felicidade.
Ela está nas pequenas coisas.
"Parte dele carrego comigo.
Carrego, além de tudo, a ironia."
[ as vezes fico com medo de interpretar-te, principalmente os seus textos que simbolizam algo... mas vou comentar sobre o abraço ]
- As vezes tudo que precisamos é um deles: confortáveis, carinhosos, autênticos - uma porção democratica da amizade.. já que ambos são agraciados pelo prazer do toque suave dos corpos. Eu, sinceramente, não trocaria a falta de tato para suportar todas as dores, se isso me custasse a sensação luxuosa de um simples abraco. E nenhum tempo pode comprar o instante que ele dura.
Gostei do texto de novo. Ou tu para de escrever bem ou tu aceita as repetições.