sai em respingos de
feridas incauterizáveis e
auto-mentiras aprazíveis e por
vezes auto-apreciáveis.
Gotas no rosto
molham a barba e
nem tocam o
coração.
Ninguém toca o maldito!
Já é presumida
ausência jurídica.
Cigarros molhados, aquelas
rebarbas de outrem como
eu.
Gole queimante por
osmose sentimental.
Serenatas ao fundo, vazio
dentro.
Fora, o sorriso.
Teu poema me fez lembrar o dele...
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração."
Fernando Pessoa, 15-11-1930.
MARAVILHOSO!