Cigarro numa mão.Bohemia Weiss na outra.
Pensando em quão não-apreciáveis eram os lábios que passearam por mim pela última vez.
Foda-se.Pelo menos não paguei.
Quando, como numa putaria do destino, começa a tocar música gospel no maldito colégio.
Puta merda.Eu queria sumir, sublimar e esquecer de tudo.E essa maldição não me deixa em paz nem quando quero hibernar em meus vícios?
Enquanto eu tolerava o "Deus de promessas" e "Como Zaqueu" que insistiam em utilizar para estuprar e ejacular em meus ouvidos, eu sentia asco e náuseas.
De repente, passa um carro.Duas pequenas meninas apoiadas na janela.
-Jesus te ama!
Filhas da puta.Minha reação normal seria chingá-las até seus pequenos úteros.
Mas só as olhei, com minha cara de sempre.Meu modus operandi nada simpático.
Na verdade, eu as admirei.Elas acreditavam.Eram inocentes.
Mau sabiam elas que o Deus que elas diziam me amar, era nada mais do que as ilusões que são a todos impostas.
Eu senti pena.
Não há motivo para elas saberem que tudo em que crêem é efêmero, ilusório e mentiroso.
Mas é um direito delas.As imaginei daqui a vinte anos.Quando, talvez, descubram a hipocrisia humana e a mentira daquilo que chamamos de amizade e amor.Não só disso.
Pensei no momento em que elas, talvez ao lado de seu namorado logo depois de orgasmos tediosos, descobrirem o não-motivo de sua existencia e a náusea vitalícia que isso causa.
Parei de pensar.Sou assim.Turbilhões filosóficos momentâneos.
Olhei para cima.Dedo médio em riste.Olhos frios e mortos.
-Foda-se a porra deste seu Deus.
Anestesiado, entediado com uma vidinha michuruca que acaba num trago. Uma lúcida vontade de morrer no meio da bebedeira, do cigarro redundante, do sexo fastidioso. Ou de qualquer lugar que omita a minha existência. É desagradável o não-eu. É desprazível acreditar em algo que vá além de mim, de minhas ânsias, de meu prazer. É melhor mentir o amor, mentir num decreto safado. É interessante fingir um ânimo, entusiasmar uma festa, sorver uma fantasia, alimentar o cochonete que se instalou em minha mente, onde todos, desnudos, copulam com meus neurônios. Fodem-os em todos os sentidos e ambiguidades. Num relaxa pra pensar. Não pretende pensar no nada que o desagrada, que é grande, que é deus de seus medos.Anestesiado, entediado com uma vidinha michuruca que acaba num trago. Uma lúcida vontade de morrer no meio da bebedeira, do cigarro redundante, do sexo fastidioso. Ou em qualquer lugar que omita a sua existência. Lhe é desagradável o não-eu. É desprazível acreditar em algo que vá além de sí, de suas ânsias, de seu prazer. É melhor mentir o amor, mentir num decreto safado. É interessante fingir um ânimo, entusiasmar uma festa, sorver uma fantasia, alimentar o cochonete que se instalou em sua mente, onde todos, desnudos, copulam com seus neurônios. Fodem-nos em todos os sentidos e ambiguidades. Num relaxa pra pensar. Não pretende pensar no nada que o desagrada, que é grande, que é Deus de seus medos. Prefere ajeitar o colarinho, enfileirar os cabelos, acentuar os olhos enganosos. Apertá-los contra a luz. Apertá-los contra a sagacidade. E usá-los para dissuadir um prazer ocasional, parco e num jato satisfazer-se. Um jato que já não mais o despreenche. Porque ele está desocupado do que antes era-lhe virtude. Não mais prorroga seu pensar. Toma um gole do que lhe sustenta. Vomita. Engole o próprio vomito na intenção de não se perder nele. E cai prosternado perto do banheiro, vomitado, morto. Com muitos olhos investigando-o. Espancando-o.
Cara, meu, guria, pia, seja lah quem for....
bom isso. muito bom, apesar de não ter sido feito pra ser bom. Vou ler o outro.