Ninguém confiava em ninguém, sabíamos disso.Também sabíamos que o outro era suficientemente perigoso para merecer respeito e, portanto, cautela hipócrita.
De vez em quando o dinheirista nos arranjava uma maneira de ganhar dinheiro fácil e rápido, então iamos para algum bar que o mafioso indicasse - ele com certeza conhecia o dono.
Lá ouviríamos a conselheira-barda nos contar suas histórias e nos guiar acerca daquilo que haveríamos de fazer.
O dinheirista, com seus olhos verde-azulados e seu cabelo semi-calvo sempre dizia com seu ar confiante:
- Eu sei o que estou fazendo.
O mafioso, com seus olhos também claros - só que muito mais azuis e frios -replicava com seu ar ironico, sempre debochado e bolachudo:
- Esse é nosso medo.Você achar que sabe.A única coisa que deveria saber é que não sabe nada a.k.a. Sócrates.Eu não vou te livrar desta vez.
Mentira.O mafioso sempre livrava todo mundo.Ele sabia o quanto isso era lucrativo.
Era a vez da conselheira intervir.Sabíamos disso.O jogo da manipulação era quase ensaiado.
Lá foi ela, com seu rosto em riste - ela já era alta, então ganhava um ar monárquico.
- Chega vocês dois.Vamos beber mais.A carteira de cigarros de vocês está cheia.Parem de falar merda e fumem.
Sabíamos que ela estava certa quanto a isso.Mais discussões acarretariam em mais uma briga - e briga dinheiro x influência não é legal.
-Fumemos, então.
Eu disse.
O Obudsmato está de volta. Com a proposta de ser cada vez mais crítico, a fim de contribuir com a aspiração do que o leitor gostaria de ver por aqui.
- Típico de seus textos. Eles são insuperaveis no quesito verossimilhança. Atrevo-me a imaginar toda a cena, e até mesmo a perceber os olhos enviesados que vocês se gratulam. A definição e os detalhes desses três personagens foram feitos à nivel da perfeição. Parece um conto, a princípio, depois se observa a pessoalidade gritante. O desenrolar da trama é tão prestigiosa quanto seu inicio. Termina de maneira ironica que sugere uma continuidade. Não há ápice, não há redenção. Há um momento exposto. Sem pretenções. "- Esse é nosso medo.Você achar que sabe.A única coisa que deveria saber é que não sabe nada " Esse trecho é repetitivo, enfadonho.
"dinheiro x influência" Seria legal se usasse "versus" ao invés de "x".