
Ele, menino barbado, anda pelas planicíes ao redor de Jerusálem.É o deserto.Deserto vermelho.
O que pisa a areia seca é tão seco quanto ela.
O que sente a aridez do ar é tão arído quanto o mesmo.
O que sua com o calor é tão sufocante quanto o mormaço que o cerca.
O deserto transforma as pessoas.A gente deixa de ser a gente para ser aquele lá sabe?O malvado dos filmes que nunca sequer pensáriamos em ser.Normalmente as pessoas preferem os heróis.É mais fácil.
Quando se olha para o sol e para uma terra de areia tão seca, se percebe o quanto somos burros.Toda a briga, todo o ódio, todo o consumismo, tudo aquilo pelo que lutamos é nada.
Nossas vidas resumem-se a inócuas maneiras de passar o tempo em que se espera pela morte.
É a fila dentro de uma cinza-bege sala de um cartório.Brigamos por lugares, matamos por posições perto do ventilador, mas no final é uma luta pelo vazio.Famintos lutando pelo vento.
No deserto, a gente percebe isso.
E quando se leva um tiro no meio da testa não se fica bravo.Bem, deveríamos.
Mas o deserto ensina que não há distinção, não há mudança.Quem lê este texto vai morrer, assim como eu quando levei o tiro.
E o melhor e eu te digo com toda a certeza é o vazio que há depois.O nada.
Ninguém pede para existir e, por isso, somos recompensados com a liberdade de deixar de existir.
O deserto ensina isso.
Engraçado o menino rodear uma cidade tão marcada pelas religiões. E consagrada por ela em vários livros. Quando li de primeira percebi a metáfora “deserto” um tanto humilde pra comportar-lhe. Ao chegar no meio vê-se a sufocante verdade que grita-nos de fúteis em mais de um post. O fim, genial, mostra um pensamento que parece novo, mas concerteza não é inovador. “Ninguém pede para existir e, por isso, somos recompensados com a liberdade de deixar de existir” acho que a vida é mais burocrática que isso... Mas é sua opinião e parece-lhe bem conveniente. Está bem crítico e claro... um pouco menos intolerante/arrogante, um pouco mais compreensível beirando a lucidez.