Parece-me uma réplica patética, abrasileirada e em miniatura dos tribunais estadunidenses.
Uma pequena mesa a divide, com duas cadeiras para cada lado.As palavras "requerente" e "requerido" caracterizam ambos os lados da mesa.No nível mais alto, localizado do outro lado da mesa, encontram-se três cadeiras, sendo uma delas possuídora de um ar de muito maior importância do que as demais, quase como se fosse o recanto de um monarca.Do lado oposto a cadeira real, estão mais alguns assentos comuns.Sento-me ali.
Uma moça, insegura e bonita, senta-se ao lado de outra, aparentemente humilde.Ambas estão do lado "requerido".O lado "requerente" está vazio.
Passado alguns instantes nos quais eu pensava nas CNTPs da minha vida(quem lê que entenda), adentra-se na sala um homem alto, de cabelos grisalhos e certa prepotência.
Faz algumas perguntas às moças e indaga-me acerca de quem sou e o que estou fazendo ali.
Sinto a autoridade dele.Respeito-a.Digo-lhe que sou um estágiario e que minha chefe(uma advogada)requisitou-me alguns documentos que necessitavam da assinatura dele.
Mandou-me esperar,o que foi,realmente um milagre, qualquer outro magistrado teria expulsado-me instantaneamente.
O imponente kaiser senta-se em seu trono.
A moça insegura e de rara beleza,com voz titubeante,esclarece ao juíz que a petição inicial da parte autora(requerente) caracteriza inépcia,ou seja,inaptidão.
O czar folheia as páginas dos autos do processo em questão (nesse instante a frase "Le'État c'est moi" veio a minha mente) e começa a falar com voz extremamente poderosa e viva.Não ouso expressar qualquer reação ou movimento.
O monarca conversa longamente com a bonita moça que revelou-se a advogada.
Passado algum tempo,no qual apenas vislumbrei o poder do magistrado, sua sentença é aclamada, a qual muito me impressionou.
"Sou levado a crer que esteve processo é uma ofensa ao tribunal,e por que não,ao intelecto humano.A parte autora apresentou cálculos aritméticos ridículos,patéticos e inaptos de serem apresentados fora do jardim de infância.Qualquer contador rir-se-ia do que foi peticionado..."
"A petição inicial apresentou dados apenas abstratos que para nada servem,a não ser fagocitar os esforços e o escaço tempo deste que vos fala e dos demais que empenharam esforços neste processo.Recordo ao doutor que processos tratam de assuntos concretos e não de tolices de pseudointelectuais que tentam ludibriar este douto juízo..."
"Portanto,indefiro o pedido."
Então,percebi.
Eu queria aquilo que o magistrado tinha.
Poder.Respeito.Autoridade.
Imponência arrogante,ainda sim justificada.
Finalmente decidi o que quero.
E decidi com autoridade.
pelo jeito, tb com sensibilidade
mto bom
:)